Wilma provoca "terremoto" na classe política do RN




Um "terremoto" atingiu, na segunda-feira (24), a classe política potiguar. Semelhante aos pequenos tremores de terra, o "abalo sísmico" a que nos referimos aqui foi provocado pelas declarações da ex-governadora Wilma de Faria (PSB) acerca dos acordos políticos com vistas às eleições 2010 para o Governo do Estado.


O "epicentro do abalo" foi o Jornal 96 (da 96 FM), de onde partiram as "ondas sísmicas" com as conjecturas da socialista. Em entrevista concedida ao jornalista Diógenes Dantas, Wilma de Faria apostou na saída do PR da aliança proporcional com o PMDB e o PV, o que possibilitaria a indicação de um republicado para vice do governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), pré-candidato à reeleição.

“Há possibilidade desta aliança permanecer com outros partidos e o PR se deslocar para a candidatura majoritária [do PSB], [com alguém do partido] sendo escolhido para vice-governador. A gente tem sentido que isso é possível”, declarou.

Aumentando "a magnitude e a proximidade do tremor com a superfície", Wilma foi além e aproveitou para defender o nome do líder do PR, deputado federal João Maia, para ocupar a vaga de vice. A peessebista disse acreditar que o nome do republicano seria “ideal”, uma vez que iria “somar” para a candidatura majoritária.

Só que, para isso, João Maia teria que quebrar o pacto com o PMDB, de Henrique, e o PV, da prefeita de Natal Micarla de Sousa, firmado com o intuito de unir forças para disputar a eleição de deputado estadual e federal, além de defender a candidatura do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB).
“Em política as coisas acontecem e mudam. Pode se preparar para isso [saída do PR da aliança com PMDB e PV]. O problema é o compromisso de João Maia com [o deputado federal] Henrique Alves [PMDB], mas tudo isso pode se rearrumar”, arriscou.

Com o objetivo de rearrumar, a socialista provocou mesmo foi "um atrito das placas tectônicas" e a reação veio de imediato. O deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB) classificou a ideia de Wilma de desfazer a aliança PMDB, PR e PV de “infeliz”. O líder do PMDB demonstrou irritação ao falar em “desrespeito a atitudes e a compromissos assumidos por mim e pelo deputado federal João Maia”.

“Não sei por quais razões ela [Wilma] quer desestabilizar a candidatura, provavelmente vitoriosa, de Iberê. O governador sabe do que estou falando e espero que os demais também saibam. Política não se faz assim e eu não aceito que as pessoas julguem dessa maneira os seus correligionários”, disse o parlamente, em tom de irritação.

O deputado João Maia também descartou a tese de Wilma. O republicano assegurou que a aliança com o PMDB e o PV está “absolutamente consolidada”. Porém, o republicano ponderou que, mesmo sem indicar o vice de Iberê, seu partido vai contribuir para a vitória do governador.
Acomodação
O "tremor" atingiu, em média, 3.8 na "escala da política", semelhante à escala Richter. Nessa intensidade, as declarações de Wilma não provocaram desabamentos e mortes, logo não foi necessária a utilização de equipes de resgates com cães e equipamentos de escavação.

Mas o "abalo" balançou a classe política local na segunda. Ao longo da semana, o diálogo serviu como "argamassa sobre as rachaduras abertas". Na sexta-feira (28), tudo parecia estar resolvido. Wilma de Faria foi convidada para participar da festa em comemoração aos 40 anos de vida pública de Henrique e Garibaldi, realizada no Centro de Convenções.

Na ocasião, a “guerreira”, como é conhecida, foi questionada sobre o relacionamento com o deputado e respondeu: “você não viu que ele me chamou de senadora. Então, está tudo resolvido”. Wilma acrescentou que conversou com Henrique e explicou a ele que queria apenas fortalecer a pré-candidatura de Iberê.

O parlamentar parece ter compreendido e aceitado a justificativa de Wilma, afinal, ele assegurou que o incidente provocado pelas declarações da pré-candidata ao Senado está “superado” e que “está tudo bem” entre ele e a peessebista.

Mas para evitar novas investidas da “guerreira” em desfazer o acordo do PMDB com o PV e o PR, Henrique deixou bem claro para sua senadora que esse “é um compromisso assumido e irreversível”.
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