Governo terá de se adequar a planos salariais aprovados por antecessores

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. A gestão da governadora Rosalba Ciarlini alegou a ilegalidade de 14 planos de cargos e salários aprovados na gestão Wilma/Iberê, mas não conseguiu um caminho viável para revisá-los, conforme sinalizou o chefe do Gabinete Civil, Paulo de Tarso Fernandes.

O governo terá de arrumar dinheiro para implementar os planos e ponto final. No máximo, a governadora Rosalba Ciarlini vai ganhar mais tempo para implantá-los. Mas não lhe sobra outra alternativa senão cumprir as leis aprovadas.

A estratégia de apontar a ilegalidade dos planos e forçar a revisão de cada um deles não deu em nada.

Nem os servidores aceitaram nova discussão sobre as conquistas, nem a Assembleia Legislativa assumiu sua cota de responsabilidade na votação de projetos a toque de caixa e com viés eleitoreiro.

Aliás, a governadora agiu rápido para abortar qualquer iniciativa de culpabilizar os deputados estaduais pela aprovação dos planos de cargos e salários, mesmo diante dos argumentos jurídicos e políticos de sua equipe técnica de que ocorreram vícios.

A culpabilidade da Assembleia Legislativa presidida pelo então deputado Robinson Faria ficou evidente nas palavras dos secretários Paulo de Tarso Fernandes e Obery Rodrigues (Planejamento), mas Rosalba decidiu evitar uma crise política com o aliado e atual vice-governador.

Segundo informações de bastidores da Governadoria, Robinson Faria se mostrou bastante irritado com a perspectiva de revisão dos planos sob o argumento de que eles foram aprovados às cegas e ao arrepio da lei, no caso, a Lei de Responsabilidade Fiscal.

E o incômodo não foi apenas de Robinson Faria, mas de uma boa parcela de deputados que dá sustentação política a Rosalba hoje.

A governadora achou melhor não mexer no vespeiro e determinou que a revisão fosse descartada para não gerar uma crise política de grande proporção na base aliada.

A tática de Robinson Faria foi a do avestruz: escondeu a cabeça no buraco e negou-se a dar declarações públicas sobre a culpa da Assembleia Legislativa na aprovação dos planos de cargos e salários sem amparo legal, como afirma o governo.

Os servidores estaduais em greve reagiram com força à ideia de revisão das leis aprovadas. Esta possibilidade está fora de cogitação, eles afirmam.

Do ponto de vista dos servidores, o problema reside na data. É, na data. Eles querem saber apenas quando o governo terá dinheiro para atender os planos.

E a expectativa deles é legítima. Grande parte dos planos de cargos e salários foi discutida exaustivamente por anos. Alguns deles, levaram décadas. Não será um desentendimento pontual e momentâneo dos políticos - hoje adversários e um dia alaidos - que vai colocar tudo a perder. Vai?

Fonte: No minuto
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