Dólar chega a R$ 4,24, mas recua após declarações

O dólar comercial, usado em transações de comércio exterior, interrompeu uma sequência de cinco altas e encerrou o dia ontem abaixo de R$ 4 – a cotação ficou em R$ 3,99, após chegar, durante o dia, à máxima de R$ 4,249. A queda foi uma reação positiva à fala do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Ele informou que o BC pode vender dólares das reservas internacionais no mercado à vista, operação que não é feita desde fevereiro de 2009. Atualmente, os recursos da reserva estão em US$ 370,6 bilhões.
O dólar comercial teve queda ontem de 3,73%, vendido a R$ 3,99. Um dia antes, estava em R$ 4,146
As reservas internacionais funcionam como um instrumento de segurança para o país em caso de crise no mercado de câmbio. Normalmente, o BC evita vender diretamente recursos das reservas para não comprometer esse mecanismo de proteção, preferindo operações no mercado futuro, como os swaps cambiais, que transferem a demanda pela moeda norte-americana do presente para o futuro. Em caso de turbulência severa, no entanto, a autoridade monetária pode lançar mão das reservas cambiais.

 "As reservas são um seguro. Pode e deve ser utilizado", afirmou Tombini. Ele aproveitou a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação ontem para deixar o seu recado para o mercado e acrescentou que o BC vem atuando em algumas frentes, como a venda de swaps, cuja posição da instituição é de US$ 100 bilhões ou cerca de 28% das reservas internacionais. "Instrumento é bastante útil e vem sendo reciclado. Temos visto isso nas nossas avaliações internas. Programa tem objetivo de segurar a estabilidade da economia brasileira", explicou. 

Até então, o presidente vinha desconversando sobre o uso efetivo das reservas, dizendo que "certamente" nesse processo de tentar reduzir volatilidade todos os instrumentos estão à disposição do BC e que continuam no seu raio de ação num período à frente. "A atuação do BC deve ser no sentido de fazer com que os mercados funcionem. No Brasil, temos um mercado de câmbio flutuante. E expressa toda a sorte de variáveis econômicas e não econômicas e a lógica é a da flexibilidade da taxa de câmbio", afirmou. 

Instrumentos
Ao repetir numa das vezes que todos os instrumentos estão à disposição da autoridade, Tombini disse que como se dará, quando e se o BC realmente vai utilizar esse ou aquele instrumento é algo que se verá no acompanhamento diário do mercado de câmbio. "Todos os instrumentos estão no raio de ação do BC, caso seja necessário à frente", repetiu. Questionado sobre se sofre pressão do governo, além do mercado para usar as reservas, Tombini disse que não vê o BC limitado ou compelido a usar determinado instrumento.

A autoridade monetária renovou integralmente 9,4 mil contratos de swap cambial (operação equivalente à venda de dólares no mercado futuro) que venceriam em outubro e leiloou 20 mil novos contratos com vencimento em 1º de setembro de 2016. Diferentemente dos últimos dias, o BC não vendeu dólares das reservas com compromisso de recompra, quando o dinheiro volta para o BC algumas semanas depois da venda.

Saiba mais
O dólar comercial encerrou ontem com queda de R$ 0,155 (3,73%), vendido a R$ 3,99. Na quarta-feira (23), tinha encerrado o dia vendido a R$ 4,146. A moeda abriu a sessão ontem em alta e chegou a atingir R$ 4,248 na máxima do dia, por volta das 10h30. Nas horas seguintes, porém, reverteu a tendência e passou a cair, até fechar abaixo de R$ 4. A divisa acumula alta de 10% em setembro e de 50,1% em 2015. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (FecomercioSP) avalia que a alta do dólar afeta diretamente preços de alguns bens essenciais com peso relevante no orçamento dos brasileiros. “O efeito já deve ser sentido a curto prazo sobre os preços dos produtos tradicionalmente importados, como azeite, vinhos e peixes (com destaque para o bacalhau e o salmão). Além disso, quase metade do trigo consumido no País é importado. Por se tratar da principal matéria-prima na produção de pães e massas, também é de se esperar que ao menos parte dessa alta no custo seja repassada aos preços dos produtos”, observa a Federação. 

Fonte: Agência Brasil
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