Contas de Cunha na Suíça tinham US$ 5 milhões

Um grupo de parlamentares de PT, PSOL, PSB, PMDB e Rede apresentou ontem um requerimento em que solicitam ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), informações sobre investigações de contas bancárias na Suíça em nome do deputado e de familiares dele. O requerimento também será apresentado à Procuradoria-Geral da República e, caso Cunha não se manifeste até a próxima semana, os parlamentares apresentarão ao Conselho de Ética da Câmara um requerimento para que o presidente apresente seus dados bancários e fiscais. Este requerimento, no entanto, teria que ser aprovado pelo colegiado, comandado por um aliado do peemedebista. A estratégia do grupo anti-Cunha inclui questioná-lo em todas as sessões para desgastar a imagem do presidente da Câmara.
Investigações feitas pelo Ministério Público da Suíça complicam situação de Eduardo Cunha
Com recortes de jornais e cartazes onde se lia “Cunha não nos representa” e “Não em nosso nome”, nove deputados apresentaram o requerimento. Eles dizem representar um grupo de 15 parlamentares. “Todos querem esta resposta. É um dever do presidente da Casa se explicar ao plenário. O Ministério Público da Suíça, que desde abril investiga as contas que seriam de Eduardo Cunha e seus familiares, não é leviano de inventar história”, disse o líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), que, mais cedo, já havia questionado o presidente, na tribuna do plenário da Câmara, mas foi ignorado pelo peemedebista.

“Eduardo Cunha não tem situação privilegiada como intocável. É uma vergonha para o Parlamento brasileiro ter um presidente tão denunciado. Ele é octacampeão em denúncias”, disse Alencar, listando todos que, de alguma maneira, envolveram Cunha no esquema de corrupção da Petrobras.

“É inaceitável o presidente da Casa, diante de denúncias tão graves, ficar em silêncio. Exigimos uma resposta. Ele se diz alvo de perseguição do governo. O que falar sobre a investigação do Ministério Público da Suíça? Será perseguição do governo suíço?”, questionou o ex-petista Alessandro Molon (RJ), agora filiado à Rede Sustentabilidade. “Não há condições de o presidente continuar ocupando a presidência. Ele usa o cargo e mancha a imagem da Câmara”, afirmou. “O silêncio do presidente da Casa não é sinal de sua inocência. O silêncio dele estabelece sinal de conivência com o que está colocado”, disse o deputado Adelmo Carneiro Leão (PT-MG).

Na noite de quarta-feira,  Cunha se irritou com uma pergunta sobre a posse de contas na Suíça. Segundo a Procuradoria-Geral da República, o peemedebista e seus familiares têm contas secretas naquele país. A Suíça transferiu para o Brasil investigação criminal contra o Cunha, denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. Com a remessa das informações contra o peemedebista naquele país europeu, a Procuradoria-Geral da República, em Brasília, poderá investigá-lo e processá-lo. Eduardo Cunha teria recebido, na Suíça, propina relativa a contratos da Petrobras. A transferência da investigação criminal foi feita por meio da autoridade central dos dois países (Ministério da Justiça). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aceitou a transferência feita pelo Ministério Público da Confederação Helvética.
Cunha pode ter mentido na CPIA investigação suíça sobre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pode virar uma nova denúncia contra o deputado no Supremo Tribunal Federal (STF) e criar um problema mais grave para ele. Isso porque em março, ao depor na CPI da Petrobras,  ele jurou que não tinha contas no exterior, depoimento que entra em conflito com as investigações na Suíça.

Procuradores aguardam o recebimento da documentação coletada pelas autoridades suíças para analisar o caso. A indicação inicial é que como o procedimento corre desde abril na Suíça, com identificação das contas e valores, o caso já está avançado e pode virar uma acusação formal diretamente, sem precisar passar pela fase de inquérito no Brasil. A documentação completa obtida pela Suíça em investigação criminal instaurada contra o deputado ainda não chegou à Procuradoria-Geral da República (PGR). 

Até agora, procuradores receberam a comunicação oficial de que a Suíça abriria mão da possibilidade de processar o deputado para remeter o caso ao Brasil. Receberam parte das informações sobre o caso - como os beneficiários dos depósitos. Ainda são aguardados, contudo, todos os dados da investigação.

O material completo, que inclui as tabelas de depósitos e a checagem das contas, pode demorar uma semana para chegar ao País e será encaminhado à PGR via Ministério da Justiça. Quando chegarem ao Brasil, as informações serão traduzidas e analisadas para, então, serem encaminhadas ao Supremo. 

Conforme o jornal O Estado de S.Paulo revelou ontem, a Suíça congelou perto de US$ 5 milhões em nome de Cunha e de parentes do deputado. A PGR não confirma os valores bloqueados. Desde abril, o escritório do Procurador-Geral da Suíça apura informações enviadas por um banco do país no qual foram realizados os depósitos em nome de Cunha e de parentes do deputado.

Também são investigados na suíça os lobistas Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e João Augusto Henriques, supostos operadores do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras Na sexta-feira passada, Henriques revelou à Polícia Federal que abriu uma conta na Suíça para pagar propina ao presidente da Câmara, por um contrato da estatal relativo à compra de um campo de exploração em Benin, na África.

Cunha já é alvo de uma denúncia da Procuradoria-Geral da República ao STF por envolvimento na Lava Jato. Ele é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, com base em suposto recebimento de propina no valor de US$ 5 milhões proveniente de contrato de aluguel de navio-sonda pela Petrobras.
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