Do alto da guarita desativada, é possível ver que os presos estão soltos na quadra  (Foto: Anderson Barbosa/G1)
Do alto da guarita desativada, é possível ver que os presos estão soltos na quadra (Foto: Anderson Barbosa/G1)
Os presos da Cadeia Pública de Natal, na Zona Norte da cidade, não se intimidam mais com a vigilância. À luz do dia, no meio do pátio, eles se espalham em duplas e, com lençóis abertos, parecem se divertir 'caçando' aparelhos celulares que são arremessados de um pavilhão para o outro. O flagrante foi registrado do alto de uma das guaritas da unidade.

O agente que filmou a astúcia dos internos pediu para não ser identificado. Com receio de sofrer retaliações, ele também não quis revelar quando foi feito o registro. Mas, garantiu que os arremessos de celulares são constantes. “Acontece quase todos os dias. Eles jogam de um pavilhão para o outro por cima do muro. Tanto de um lado quanto do outro, os presos estão soltos e circulam livremente pelos corredores”, acrescentou.

G1 enviou o vídeo para a assessoria de comunicação da Secretaria de Justiça e da Cidadania (Sejuc), responsável pelo sistema prisional do estado, e aguarda um posicionamento sobre quais providências serão tomadas.


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Soltos

A Cadeia Pública de Natal, oficialmente denominada de Presídio Provisório Raimundo Nonato Fernandes, possui duas alas. Ao todo, tem capacidade para pouco mais de 200 presos, mas atualmente abriga 540.
Com exceção dos detentos que ficam na triagem (local reservado para os recém-chegados) e de alguns poucos que estão isolados por problemas de convivência, os demais estão soltos dentro da cadeia desde março de 2015, quando várias unidades prisionais do estado foram depredadas durante uma série de rebeliões. Na ocasião, praticamente todas as grades das celas da unidade foram arrancadas das paredes. Algumas chegaram a ser reparadas posteriormente, mas as carceragens voltaram a ser destruídas.

Calamidade
No dia 17 de março de 2015, justamente em razão da destruição causada pelas rebeliões, o governo do estado decretou calamidade no sistema prisional - situação que permanece até hoje. A decisão permite que medidas de emergência sejam adotadas como forma de restabelecer a normalidade do sistema, incluindo a criação de uma força tarefa com poderes para autorizar a adotação e execução de medidas urgentes, como a construção, restauração das unidades parcialmente destruídas, reformas, adequações e ampliações com objetivo de criação de novas vagas.

G1 RN
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